sábado, 7 de agosto de 2010

Rock in Roubo

Diz ae pessoal! Quem escreve sobre o tema de hoje, não sou eu: é um amigo, que atraído pela imensa fama do blog (isso claro de acordo com a história que o Léo contou a ele), pediu para publicarmos um texto. Aí vai a opinião do Augusto sobre :


“ 'Qualquer dia pagaremos pelo ar que respiramos.'

170 R$ por entretenimento, isso mesmo, o Rock in Rio virá com aproximadamente este valor. O que era antes cobrado por cerca de 30 R$ hoje custa quase seis vezes mais. Minha indignação, senhoras e senhores, não é tanto pelo fato de estar caro, mas sim o que esse preço representa para nós.


Cultura e entretenimento são itens que deveriam ser dados para o povo ou cobrados de um modo humano, mas não desse jeito lastimável. Quer saúde? Faça um plano. Quer educação? Estude em colégio particular. Quer segurança? Compre carros blindados, ponha câmera em sua casa e/ou contrate seguranças. Quer entretenimento? Pague 170 R$.

Não é possível que um evento da dimensão do Rock in Rio não possua patrocinadores o suficiente para tapar os gastos do governo. O Rock in Rio deveria ser cobrado por um valor mínimo para a população que fez este festival ser o que é hoje. E não podemos esquecer que 99% das pessoas que vão para o show são pessoas humildes e muitas vezes não possuem condições o suficiente para bancar este 170 R$.

O ingresso europeu para o Rock In Rio Lisboa custa mais ou menos 50 Euros, em um continente que em tese poderia ter preços mais altos, pois os europeus possuem melhores condições que os latinos americanos.


A seguir um esboço satirizando a conversa entre Roberto Medina - idealizador e produtor do Rock in Rio - e os patrocinadores:


Medina: Bom senhores, estamos aqui para resolvermos um assunto muito importante para mim, claro. O preço do ingresso do Rock in Rio.


Patrocinador: Este sim é um bom assunto. Estávamos pensando e achamos que o melhor preço seria um adequado para a população, alias, os brasileiros engolem qualquer coisa em silêncio mesmo... HAHAHAHAHAHA


Medina: Olhe, ocês tem razão, mas então? O que pensaram?


Patrocinador: Que tal 100 R$?

Medina: Faça-me o favor, isto não dá para eu fazer nem se quer uma viajem para Dubai. O povo brasileiro necessita ser sacaneado. Que tal 150 R$?

Patrocinador: Bom, já que é assim 170 R$ e não falamos mais nisso.

Medina: Feito. Eu estou satisfeito, vocês estão satisfeito e o povo brasileiro também ficará... HAHAHAHAHA


Cada vez mais o POVO brasileiro, está sendo sacaneado por engravatados que só se reocupam em encher o bolso e dormir em lençóis de seda enquanto nós, a ralé, somos estuprados financeiramente e socialmente pelos Diabos do centro-oeste."




Muito bem, eu concordo com a ideia geral do texto dele, mas gostaria de contrapor e reforçar com algumas opiniões:

- 99% do pessoal do festival ser humilde é piada. A maioria das pessoas que irão tem boa ou ótima condição financeira, até porque não estamos falando de um baile funk ou uma micareta: é algo que custa cento e setenta reais.

- É muito bonito se revoltar contra os ingressos, mas se você faz isso e os compra está simplesmente dizendo: "To nervoso, tu é um usurpador, viadinho! Mas eu compro o que você ta querendo vender porque vale a pena mesmo assim. "

Então por que eles abaixariam os preços, se há público pra isso? Vivemos numa sociedade capitalista. Lucro, lucro, lucro! Ninguém vai ficar com pena de quem não pode ir. Este deve ser um preço calculado que talvez maximize o lucro deles, não sei.

Exatamente por essa razão não vou no show: apesar de gostar muito de rock, é a minha forma de protesto. Se houver baixo público, aposto que no próximo eles diminuem os preços.

E vocês, o que acham?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Desculpa, mas você está procurando por algo que não está aqui. Seu trouxa."

Não sei se vocês estão sabendo, mas a nova moda da política, e da polícia no Rio de Janeiro são as UPP's, ou Unidades de Polícia Pacificadora. Este é um projeto do Governo do estado que promete instalar unidades da polícia em comunidades carentes que estejam dominadas pelo tráfico de drogas, ou seja, sofram com o chamado problema do poder paralelo.

Tudo bem, ótima iniciativa. Os policiais sobem a favela, expulsam os bandidos, chamam a televisão, e tudo está perfeito. Maravilha, para onde vão os marginais? Acompanhem o meu raciocínio e pensem comigo se minha resposta para esse dilema é coerente.

Primeiro leiam este trecho que encontrei no site http://upprj.com, onde quem escreve é o Secretário de Segurança do Estado do Rio, José Beltrame:

"Sem dúvida, o Rio de Janeiro é o primeiro estado a vir à mente quando o assunto é favela. Numa cidade com mais de mil, o tema segurança torna-se assunto diário e sempre dramático."

Reparem que ele começa descrevendo o estado inteiro para depois, absolutamente do nada, se limitar à cidade. Como assim? O problema não é de todo o estado? Tá bom, isso não é nada, pode ser só um deslize, mas já podemos começar a desconfiar.

Também não sei se vocês conhecem, mas existe uma área do estado, que fica geograficamente acima da capital, se chama Baixada Fluminense, e é um conjunto de municípios onde as condições de vida muitas vezes são piores que na cidade maravilhosa. Dependendo do local, às vezes não há nem asfalto, sistema de esgoto regular, existe muito lixo a céu aberto, ou seja, faltam necessidades básicas. Não falo disso como um cara que ouviu falar e só está reproduzindo o que foi dito. Sou morador da Baixada. Detalhe é que também há muitas favelas. Só de pegar um ônibus que cruze um tantinho da pequena cidade de São João de Meriti observo inúmeras. Fiquei então curioso e decidi saber o que o Governo do estado está fazendo pela nossa região. Digitei a palavra 'baixada' no site da UPP e, bem grande, na minha cara:

0 search results for "baixada"

Sorry, but you are looking for something that isn't here.

Como assim, cara? Nem mesmo uma promessinha! Para ser justo, digitei o nome de cada um dos municípios: mesma coisa. Nada. Até a hora de digitar Magé. Quinze resultados (!): mas como parte da palavra imagem. Fiquei um tanto com raiva, mas achei que essa resposta não poderia ser melhor (pra não dizer o contrário), pois resume uma teoria minha: que o governo do estado tem sim suas prioridades, regiões mais favorecidas do que outras, não há como negar. E há essa diferenciação até mesmo dentro do próprio município do Rio. É como uma mãe que gosta muito mais de um filho e não quer admitir.

Apesar disso, eu sei que é uma ótima medida, nos parâmetros que promete cumprir. Eficiente, sem mortes, sem violência. Fiquei entusiasmado ao tomar conhecimento. Mas não deveria ser mais igualitária? O Governo, teoricamente, é do estado inteiro. Todos os 92 municípios. Por que as UPP's são só na capital? Por que as primeiras inauguradas foram nas favelas dos bairros mais nobres (Zona Sul da cidade), não dos mais violentos? Que prioridade foi essa que eles utilizaram?

Eu fico perguntando igual um doido, mas acho que entendo qual é a deles. Com vários eventos esportivos acontecendo futuramente na cidade (só na cidade, hein..), então eles meio que se tocaram que o Rio tá brabo. E alguma coisa tinha de ser feita. Qual a solução mais rápida? Expulsar os meliantes da cidade (só da cidade, hein..). E pra onde vocês acham que eles vão?

Um bairro do município de Belford Roxo, chamado Bom Pastor, que tem muitos problemas mas não sofria de violência até pouco tempo (segundo relato de moradores), está ficando perigoso. Nilópolis, onde moro, é uma cidade relativamente tranquila. Até quando será?

Bandidos são como baratas: você não pode só afugentar, elas aparecerão em outro cômodo. Ou prende (recomendado para bandidos), ou mata (recomendado para baratas). Ou vice-versa, sei lá.

É incrível como esses caras conseguem fazer até mesmo as coisas certas do jeito errado.


Estado do Rio de Janeiro. Em amarelo, a Baixada Fluminense. Logo abaixo dela, o grande município que é a capital, e em vermelho, Nilópolis, minha terra :)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Palmadinha Fora da Lei.

Outro dia eu estava em casa passando os canais de TV e a reportagem sobre rachas de rua me chamou a atenção, porem, antes dela, passou a matéria sobre a nova lei sancionada contra palmadas, que me gerou revolta, e o que me inspirou a escrever o nosso novo tema do blog.

Lá vamos nós falar sobre leis novamente.

A lei contra palmadas consiste em “o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”.

O nosso querido molusco,vulgo Lula, assinou o projeto de lei que modifica o artigo 18 do estatuto da criança e do adolescente. Pelo novo texto fica vedado aos pais usar castigos corporais de qualquer tipo na educação de seus filhos. Um parágrafo define o castigo corporal como “ação de natureza disciplinar ou punitiva com uso de força física que resulte em dor ou lesão a criança ou adolescente”

Ou seja,o pai ou a mãe que der uma palmadinha na mão do seu filho q insiste em enfiar o dedo na tomada poderá ser submetido a acompanhamento psicológico ou programação de orientação a família.

Eh obvio que ninguém defende q a criança seja espancada, mas espera ae, ate onde eh aceitável que o estado legisle sobre a educação dos pais sobre seus filhos?A lei confronta o poder do pai e da mãe de exercer sua autoridade denro da sua própria casa. Tirando o fato que já existe uma lei do código civil e código penal que punem os maus tratos.

Alem disso fica aberto como será fiscalizado o cumprimento dessa nova lei. Imagina a policia invadindo a casa de um cidadão, como faz na casa de um bandido perigoso,caso receba a denúncia q o pai deu umas palmadas corretivas no filho.

Como se a policia não tivesse muito o que fazer, né?




Tirando que a lei pode ser usada como instrumento de chantagem e calúnia. Alguém interessado de prejudicar uma família que da palmadas no filho, poderá denunciá-lo a policia, incluindo-se ai, cônjuges vingativos e adolescente problemáticos q querem se ver livres da vigilância dos pais.

Eu mesmo apanhei muito na minha infância, não vou negar, assim como muitos. E nem por isso carrego magoa, nem traumas dos meus pais. Às vezes, insistimos de fazer aquilo que verbalmente já foi explicado e nada como uns tapas pra te fazer acorda e voltar para realidade.

Ah! Voltando a reportagem que eu vi, ai vai a parte mais genial. A repórter parou uma mãe que estava com sua primogênita no parquinho e a perguntou sobre a lei. Respondendo a repórter que a apoiava, a filha da mulher simplesmente gritou que queria voltar pro parquinho, deu um tapa na mão da mãe e saiu correndo.

Eu fico imaginando o que a mãe daquela criança ficou pensando. Ou talvez, querendo fazer.



Ai ai

Sinceramente, eu desisto de pensar o que nossos governantes querem pro país.

Acho que a velha frase do período militar, ainda se encaixa muito bem nos dias de hoje. ”Brasil, ame-o ou deixo-o”... Então por favor, o ultimo que sair apague a luz do aeroporto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

País Hipócrita



Fala sério pessoal. Não sei se poucos têm essa sensação, mas uma das maiores características no nosso país é a hipocrisia... Vou tentar reunir aqui só alguns fatos que ilustram minha observação.

Brasil, país do carnaval. Fevereiro é mês de mulher pelada na televisão: olha a globeleza aí gente! Nos desfiles o que não falta é nudez, sensualidade, criança vendo, ninguém tá nem aí. Todo mundo ri, todo mundo aplaude. Mas se uma mulher resolve fazer topless na praia, é taxada de imoral, sem vergonha. País hipócrita! Quem quiser tirar a parte de cima do biquini, precisa ir a um continente onde a hipocrisia não prevalece (que tal a Europa?), pra poder exercer sua liberdade.


Aqui o que não falta é droga cultuada na televisão. Comerciais de cerveja são animadíssimos, super cool, beber é legal, uhul! Só uma diversãozinha depois de uma semana cheia de trabalho... Mas quem fuma maconha é taxado de marginal. Bandido. País hipócrita. Por isso sou mais a Holanda.


Rede Record: emissora de televisão evangélica. De madrugada, veiculam o "Fala que eu te escuto", programa para consolar e ouvir os problemas dos fiéis, discutir temas da sociedade. Lindo. No horário nobre, programas sensacionalistas, que destacam muitas vezes a violência, semi-nudez e priorizam ao máximo o Ibope. Uma noite estava passando um filme chamado Turistas, que... Foi o cúmulo. A história era basicamente a seguinte: turistas americanos vem pra cá, são feitos de trouxas, roubados, acontece tudo quanto é merda com eles. Só sei que no final eles viram vítimas num esquema de roubo de órgãos. Violência explícita, orgãos internos aparecendo, órgãos externos também, principalmente os femininos. Seios. Bundas. Tripas. Record, emissora evangélica. País hipócrita.


E tem mais: portões com o adesivo "cuide da sua vida que da minha cuido eu" colado, e televisão da mesma casa ligada toda noite no Big Brother Brasil; gente que nem sabe o nome do nosso vice-presidente falando mal do governo; a mesma pessoa que aposta com os amigos quem 'pega mais' no carnaval, dois meses antes está comemorando o Natal com a família e criticando os "maus costumes" condenados pela Igreja. O que não faltam são exemplos.


Enfim, eu não to aqui querendo dizer que todo mundo tem que se encher de drogas, sair andando pelado por aí, abandonar a religião. O que eu digo é: tenhamos pelo menos, ao contrário da maioria de nossos compatriotas, coerência em nossas opiniões.




Pelo menos, hipocrisia não é só no Brasil.


*Obs: Respeito muito os evangélicos (religiosos em geral, na verdade), pois acho que - sem as distorções de excessivos pastores malucos por aí - sua filosofia de vida é muito bonita. Mas gente, peraí né... Sem cegueiras e ignorância. Acreditar em Deus é uma coisa, acreditar no Bispo Edir Macedo é outra.*

domingo, 25 de julho de 2010

O Mérito do Vestibular

"O vestibular impede o desenvolvimento da inteligência porque exige uma quantidade exagerada de informações. Como a maioria dos professores de Ensino Médio resolvem esta demanda? Adotam métodos questionáveis de instrução e condicionamento, como é o caso dos 'simulados'. Os 'simulados' são ações repetitivas de exercícios e problemas já empregados em exames vestibulares passados. É o condicionamento programado. O aluno, de tanto fazer 'simulados' relaciona uma palavra-chave à resposta esperada. O professor pode instruir o aluno para a prova, mas não o educa para a vida."

Rudá Ricci

Diz aê moçada. Vou continuar descrevendo aquele debate pouco comum que aconteceu na minha aula de cálculo um dia desses. No outro texto descrevi como a minha professora via a implantação das cotas no país, e aquela discussão toda levou à seguinte pergunta:

"Professora, mas não é uma injustiça? As cotas não tiram o mérito de quem passou no vestibular?"

E numa sala cheio de ex-vestibulandos, felizes e satisfeitos consigo mesmos:

"Ah, gente, vocês sabem que não existe esse mérito todo. Na verdade, não se mede o conhecimento. Se mede a capacidade de saber fazer o vestibular".

E não é que é verdade? Sempre existem provas com um determinado estilo, parecidas todo santo ano. Se você obtém uma quantidade razoável de conhecimento e resolve muitas, mas muitas provas anteriores, questões semelhantes, entende o jeitão da banca, a probabilidade de mandar bem é muito maior.

Vou dar um exemplo aqui do Rio de Janeiro. A primeira fase da UERJ é figurinha repetida. São quatro alternativas, onde duas são extremamente parecidas e duas claramente erradas. Existem macetes para se fazer as questões (portanto há professores que mais parecem estudiosos da prova do que da matéria que lecionam). Esse ano chegou ao meu ouvido, de fontes 'confiáveis' (um professor suspeito de um cursinho pré-vestibular mais suspeito ainda), que "pra UERJ tudo era metáfora." Frase simples. Tanto que nem precisava saber o que era uma figura de linguagem, só de ouvir isso se acertava pelo menos uma: a resposta da número um este ano foi letra B, metáfora.

Me digam, onde que isso prioriza o conhecimento, a capacidade de raciocínio de alguém? Na verdade, o que é posto em jogo é a capacidade de se adaptar ao que eles querem, entender situações previsíveis, saber fazer o que é pedido. Tudo bem, também é uma uma forma de seleção: mas muita gente estuda bastante e se dá mal porque não tem a habilidade na prova. Será que não há alguma coisa errada aí? Além do mais, a competição é injusta. Uma amiga da minha classe disse que seus professores davam as questões (claro que não diretamente, o que seria um crime). Ensinavam o estilo da prova, diziam o que ia cair. E realmente caía.

Isso tudo porque eu nem falei do emocional, do estado da pessoa no dia D. Einsten, se tivesse uma diarréia, na manhã do vestibular, não ia passar. Seria justo?





Não poderia deixar de dizer aqui da prova mais badalada do momento. Sou contra o ENEM do jeito que ele está. São 180 questões mais uma redação, textos enormes. Mede-se com mais eficácia, novamente, não o conhecimento: mas a resistência. Quem fez ano passado deve concordar comigo: parece uma prova do BBB. Quis no entanto ouvir a resposta da minha professora. Levantei então a mão e:

"Mas e o ENEM? Como ele entra nessa história?"

O que ela disse foi mais ou menos o seguinte: a prova é uma boa iniciativa do governo, porque urgentemente alguma coisa precisa ser mudada. E realmente, é necessária uma reforma, sem dúvida. "O que não pode é o ENEM se tornar uma prova viciada."

Tudo bem, é verdade. Ótima iniciativa. Mas de que adianta, se posta em prática, vira uma bosta também?

Eu sou um cara pessimista. É difícil o nosso sistema de vestibular mudar. Se prestarmos atenção, é tudo um complexo mercado: virou consumismo. É uma grande rede de dinheiro, e tudo que movimenta grana aqui nesse país é difícil de ser parado. Na verdade, a educação como um todo não é facil de mudar. Como dito no outro post, é tudo um ciclo vicioso onde a ignorância do povo favorece o dominio da sociedade por políticos corruptos e populistas.

E só pra fechar: informo-lhes que o pH é um cursinho tradicional do Rio de Janeiro, onde a mensalidade ultrapassa a casa dos mil e a aprovação para públicas faz jus ao preço. E se liga no que a mestra disse na sala, no meio da discussão:

"Se você estudou no pH e passou no vestibular, me desculpa gente, não fez mais do que a obrigação."

Não sei se foi o tom da voz dela, mas sei lá, será que só eu achei essa frase genial?





segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lei 9840 - Ficha Limpa


“Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente, e pela mesma razão.” Eça de Queiroz.


Desconfiado pelo fato da lei 9840 - ficha limpa, ter sido aprovada sem nenhuma objeção prévia, resolvi saber mais sobre ela e fiz umas pesquisas.
A lei aprovada em 4 de junho, não é a mesma que o MCCE(movimento de combate a corrupção eleitoral) impôs.

O Projeto Ficha Limpa, nasceu nas ruas com ampla divulgação no facebook, twitter, blogs e outras redes sociais,  numa demonstração clara e inequívoca do desespero dos brasileiros diante de tanta impunidade por parte de nossos politicos. Cerca de um milhão e seiscentos mil eleitores  assinaram o documento. Pessoas que ainda não tinham perdido a esperança por uma Nação sem corrupção. 

Após sua lenta peregrinação no Congresso e finalmente depois de calorosas e polêmicas discussões, o Projeto foi encaminhado ao Lula para ser sancionado. Entretanto, quando chegou à mesa do molusco apresentava tantas alterações, que não se assemelhava tanto a aquele nascido das aspirações populares.

A lei “ficha limpa” tem como objetivo impedir que parlamentares com passagem pela justiça possa se candidatar.

Ótimo, teriamos uma anarquia (ausência de governo.).




A versão inicial do movimento desejava a proibição de políticos condenados já em primeira instância. Ainda na Câmara, optou-se por proibir apenas os condenados por colegiados, o que acontece geralmente na segunda instância ou nos casos de quem tem foro privilegiado. (?)

Deixando essas palavras politicamente arrojadas que apenas são usados para complicar nossas vidas, e voltando ao nosso padrão atual da fala, o político condenado por um Juiz não o torna inelegível  e sim condenado por um colegiado (dois ou mais juízes). E mesmo assim, alguns podem recorrer a essa decisão contra a impugnação e se candidatar enquanto seu caso ainda não for julgado, anexada ao fato da Lei Ficha Limpa não vale para todos os tipos de condenações.

Isso é um fato indiscutível: Alguns vão concorrer com a situação política não definida. Já ocorria antes e vai ocorrer ainda mais agora com a crescente demanda de julgamento pela Justiça Eleitoral com a nova lei.




Ficha Suja ou Limpa, no meu entendimento não precisaria de nenhuma Lei, pois somos nós eleitores quem escolhemos. É nosso dever, em um mundo onde a informação transita em tempo real e que podemos descobrir tudo sobre todos em apenas segundos, sabermos eliminarmos os nossos queridos políticos com feições demoníacas que os próprios se esforçam muito para conquistar. Aceitação q esse tipo de gente exerça o poder, apenas nos fazem piores q eles.

E num país como o nosso, inculto, onde as necessidades são enormes para as coisas mais básicas, os interesses pessoais sobrepujam o interesse coletivo, deixando-nos amargar com essas pessoas eleitas que não se preocupam em ter a mínima condição ética e moral.

Não tiro o mérito que a “ficha limpa” é uma vitória do povo sim, por mais que alguns políticos passem por cima dela. Mas temos que compreender que as coisas mudam no ritmo de uma tartaruga reumática. Então, não pense de uma hora pra outra todos os políticos corruptos não estarão mais no poder ou não poderão se candidatar. A lei ajudará a peneirar-los, não erradicá-los.



Sejam conscientes.


Tipos de votos que ainda geram duvidam.

Voto Branco: Os votos em branco significam "tanto faz" e são acrescentados ao candidato de maior votação no último turno. Ou seja, se existem dois candidatos Tubarão e Galinha, Tubarão termina com 50% dos votos, Galinha recebe 40% dos votos, 10% são votos em branco, significa que os eleitores estão satisfeitos tanto com Tubarão como com Galinha, o que vencer está bom. Neste caso os 10% vão pro tubarão (60%).

Voto Nulo: Já o voto nulo é um protesto válido. Ele quer dizer que o eleitor não está satisfeito com a proposta de nenhum candidato e se recusa a votar em um ou outro. Esse tipo de voto é importante e é o que efetivamente faz a democracia, pois a existência dele permite que o eleitor manifeste a sua insatisfação.

sábado, 17 de julho de 2010

Minha Professora de Cálculo (ou Cotas II - uma opinião diferente)

Um dia normal como todos os outros na escola, professora de Cálculo III entrando na sala, prestes a dar mais uma de suas ótimas aulas sobre integrais de superfície. Mas nesse dia, a matemática ficou um pouquinho de lado e discussões muitíssimo interessantes tomaram conta de quase todo o tempo da aula.

Um grupo de estudantes pertencentes a uma das chapas eleitorais que disputavam a eleição para o DCE da UFRJ (Diretório Central dos Estudantes) entrou na sala, e começou a fazer o que era pra ser uma rápida propaganda eleitoreira. Falaram de suas reinvindicações, como o bandeijão e o meio passe estudantil, manifestaram sua indignação contra o Plano Diretor (plano do governo federal com uma série de objetivos mascarados, como uma crescentre privatização do ensino), entre outros itens, já batidos de tanto serem falados. Até que alguém levantou o braço e perguntou a posição dos caras sobre as cotas.

Eles disseram o que era esperado: consideravam as cotas apenas um paleativo, que a medida não atacava o problema em sua raiz, ou seja, na educação básica. Que eram contra as cotas raciais, mas que poderia ser aberta a discussão sobre as sociais.

A professora, que apenas observava tudo com uma expressão contida de reprovação, interrompeu:

"Me admira vocês, com uma postura tão arrojada, se manifestarem contra as cotas raciais."

Os caras meio que ficaram sem reação, eles não esperavam aquilo. Começaram a balbuciar algo como "mas não faz sentido" ou "não resolve o problema". Aí ela interrompeu de novo:

"O problema é o racismo. As cotas são pra resolver o problema do racismo no país."

Aí começou a explicar. Disse que as cotas eram uma forma de compensação, sobre tudo que os negros passaram durante esses 500 anos no Brasil. Disse também (essa frase abriu minha cabeça) que é necessário criar uma elite negra no país, através da maior inclusão dos negros no ensino superior.

O que ela estava dizendo começou a amansar minha opinião. Antes disso, eu era totalmente contra as cotas, assim como o Léo no post abaixo, e costumava raciocinar assim: "mas o problema está na base..."

O argumento dela é justamente que a cota está aí pra resolver outro problema, que não o da educação básica: mas do racismo histórico! É óbvio que existem negros e brancos. O post de baixo diz que raça não existe. A minha opinião é: lógico que elas existem. Negar isso seria negar uma condição histórica, ser injusto com os nossos antepassados que foram massacrados, escravizados, e que lutaram pra melhorar a condição. O Léo disse aí embaixo: "os movimentos negros insistiram que raça não existe ". A frase é um imenso paradoxo. Se raça não existe, o que seriam movimentos negros? Seria sobre a cor da roupa que eles usam?

Raça existe sim. Assim como a miscigenação delas. Negar isso seria negar uma possível reinvindicação dos negros por uma condição social melhor, para acabar com o racismo, pra conseguir uma igualdade nessa sociedade tão desigual. Acho que o grande ponto da questão é: as raças devem ter condições iguais, oportunidades iguais, qualidade de vida iguais. Até chegar um momento em que realmente possamos dizer: hoje, raças realmente não importam.

Mas para isso acontecer, de início, elas não devem ser tratadas de maneira igualitárias. Tratar como iguais os desiguais é se manter na desigualdade! É lógico que são necessárias ações que melhorem a condição dos negros. Passar 500 anos mantendo uma raça em nível de escravidão e depois de libertá-los, não tomar medidas diretamente a favor deles, é persistir no erro. É ignorar a história.

Esse meu ponto de vista usualmente pode visto pela politicamente correta e culturalmente incorreta sociedade como, racista, desagregador, preconceituoso. Mas não é. O que eu quero é o mesmo que a maioria: igualdade nesse país, seja pra quem seja. Eu adorei ver Barack Obama eleito. E eu gostaria de ver um Barack Obama brasileiro.

Outros poderiam dizer que as cotas implicitamente dizem que o negro é menos capaz que os brancos. Mas é claro que não. Todos são igualmente capazes: é realmente só uma questão de pigmentação de pele, fisiologicamente. Mas historicamente, socialmente, temos de assumir: não foi assim. Não é assim. Infelizmente.

É lógico que o ideal seria: uma melhoria no ensino básico, acabar com a miséria, com as favelas, haver geração de empregos. Um lindo conto de fadas. Mas gente, convenhamos: isso é quase uma utopia aqui no Brasil. Pelo menos a curto prazo. Nós sabemos muito bem a índole das pessoas que estão nos governando, e como é o ciclo vicioso da política no país. Se acharmos que as coisas vão se resolver estando o país do jeito que está, nada vai ser resolvido tão cedo.

Voltando lá à minha sala: alguém levantou o braço e perguntou: "mas professora, não haveria uma tensão racial no país?" A resposta dela foi direta: "mas gente, essa tensão já existe... só que tá mascarada. No racismo do dia-a-dia. Então é melhor que apareça logo".

E eu tenho noção de que a cota é um sistema falho, sim. Uma pessoa branca, descendente de escravos, não entraria pelo sistema? Um negro rico, entraria? É difícil, sempre uma contradição atrás da outra. É um sistema falho que 'atenua' um problema histórico e outro sistema mais falho ainda, o do vestibular.

Portanto, isso tudo que eu escrevi não quer dizer que eu seja a favor do sistema de cotas no Brasil como ele está. Ele é ruim. É implantado de uma forma extremamente errada, não havendo uma fiscalização e um critério efetivos, proporcionando assim mais desigualdade do que resolvendo. Vide os casos dos gêmeos que foram tratados um como branco, outro como negro. Então, eu não estou com a opinião totalmente formada a favor das cotas no Brasil: do jeito que esse país é, muito provavelmente nunca daria certo. Mas não concordo em se atacar a filosofia delas incontestavelmente: elas são muito válidas. O que eu defendo é uma ampla discussão.

Outra pergunta que fizeram: "professora, mas não é uma injustiça? As cotas não tiram o mérito de quem passou no vestibular?"

Ah, mas essa resposta dela foi MUITO boa. Vou até deixar pro próximo post, porque se eu começar a discutir esse outro assunto aqui não termino o texto hoje. Mas pelo menos vocês já sabem do que vou falar: do sistema de vestibular no Brasil, se ele é justo ou não, se realmente existe um "mérito" e como o ENEM entra nessa história. Forte abraço!


Pureza. Igualdade. Seja qual for nossa opinião, é tudo o que queremos no final.